Hierarquia

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Sobre por que eu deixei meu emprego para fazer alfajor… e algumas dicas para você que está na mesma :D

Eu entrei em crise com meu antigo emprego em uma das maiores organizações da América Latina após ter trabalhado sete anos nela. O ponto maior da crise foi quando eu percebi o quanto a hierarquia deforma as organizações e distorce as relações entre as pessoas. A primeira pergunta que me fiz foi: “Se eu tenho chefes ruins, será que para as pessoas que lidero eu também sou ruim?”. Aquela pergunta chegou logo depois de ver o filme “Hierarquia, conversas depois do fim do mundo” do Augusto de Franco. 

Se eu tenho chefes ruins, será que para as pessoas que lidero eu também sou ruim?

Em algumas semanas de reflexão e de observar com maior atenção as pessoas da “MINHA EQUIPE”, me foi confirmado a hipótese de que em diversas ocasiões eu tomava decisões pensando no “melhor” para instituição, mas a mesma não deixava conformado a um grupo considerável de pessoas, muitas vezes eles eram os mais críticos, os que eu mais admirava. Essa situação me fez tomar duas atitudes:

  1. Começar uma luta dentro da organização para mudar os aspectos que eu achava errados, fazendo politicagem mesmo, ou seja: convencendo outras pessoas da minha visão, fazendo propaganda de quanto de boa a minha visão era, puxando o “bando opositor” para minha banca, etc. 
  2. Deixar que as pessoas da “MINHA EQUIPE” fizesse o que elas quiserem sobre a maior quantidade de assuntos possíveis. Sendo assim, chegou uma hora em que não queria brigar mais por assuntos que considerava insignificantes. Nesse ponto corri alguns riscos de “autorizar” aos meus liderados a fazerem alguma coisa que não seja “institucional”, mas naquele momento preferi correr o risco para não confrontar mais. 
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Essas duas atitudes foram muito importantes para eu conseguir sobreviver ao ultimo ano de trabalho em estrutura hierárquica e aguardar o tão ansiado “passe de cargo”. Aguardar que uma pessoa seja “escolhida” para ocupar seu cargo e tudo mais. 

 Eu valorizo muito aqueles oito anos de experiência naquela organização, pois lá eu aprendi a ser pessoa, aprendi sobre a humildade trabalhando com a pobreza e também sobre “organizações”, com tudo o que isso implica. Mesmo assim hoje não voltaria para essa “carreira” corporativa. Acho que já foi suficiente demais para me manter afastado do paradigma da abundancia e do “empreender”.  


“A escola protege ao ser humano da experiencia do aprendizagem,
 
a empresa protege ao ser humano da experiencia de empreender, 
a religião protege ao ser humano da experiencia com Deus.”
Augusto De Franco

Eu acredito muito que estamos em um momento de passagem de um modelo organizacional da sociedade para outro, que vai ser muito mais em rede, sem hierarquias. A questão é que por enquanto vamos continuar em crise, pois como o Oswaldo Oliveira fala “O velho já morreu e novo ainda não é robusto como para andar sozinho”. 

A parte boa é que você, que está la em casa incomodado com essa situação não está sozinho, e ainda mais, cada vez tem mais gente achando possível um novo jeito de nos relacionar: a sociedade em Rede. Eu convido vocês a ver filmes, videos de Youtube, artigos, matérias e tudo mais para se informar e abrir seus horizontes de possibilidades, se eu consegui você também consegue. 

 

Fonte: https://alfajorartesanal.wordpress.com/2015/09/08/sobre-por-que-eu-deixei-meu-emprego-para-fazer-alfajor-e-algumas-ajudas-para-voce-que-esta-na-mesma-d/