Se o navio de Teseu trocar de peças ao longo de uma viagem, ainda será o mesmo?
Filósofos tentam solucionar o mistério
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Conhecendo um pouco do herói grego, confira a seguir o que é o paradoxo do navio de Teseu:
Pergunta antiga
Plutarco, um historiador, biógrafo, ensaísta e filósofo médio platônico grego, propõe em uma de suas obras, 'Vidas Paralelas', o seguinte contexto: imagine que Teseu parte, a navio, de um ponto A até um ponto B.
Até aí, a história parece simples, porém, ao longo da viagem — que durou cerca de 50 anos —, peças da embarcação vão sendo substituídas conforme se desgastam e, eventualmente, todas as partes teriam sido trocadas. Fica então o questionamento: o navio que chegou em B seria o mesmo que partira de A, ou já poderia ser considerado outro?
De acordo com a Super Interessante, desde a criação desse enigma, muitos filósofos tentaram se aventurar em respondê-lo. Um nome famoso, certamente estudado por muita gente no Ensino Médio, é o de Heráclito, que comparou o navio e suas peças a um rio: por mais que as águas sempre corressem e fossem substituídas, o rio seria sempre o mesmo.
Já Aristóteles, um dos mais conhecidos e aclamados filósofos gregos e um dos pensadores mais influentes da história da civilização ocidental, estabeleceu em sua linha de reflexão que as coisas podem ser definidas por quatro causas: a formal, a material, a final e a eficiente. Para ele, como o navio só alterava sua causa material entre os pontos A e B, ele permaneceria sendo o mesmo.
Debate milenar
Por mais que o paradoxo do navio de Teseu tenha sido proposto ainda no berço da filosofia, a Grécia Antiga, a questão seguiu intrigando pensadores até os tempos modernos, que também deram seus próprios palpites.
Gottfried Wilhelm Leibniz, um filósofo e polímata alemão, utilizou-se de uma lógica curiosa: "X é o mesmo que Y se, e apenas se, X e Y têm as mesmas propriedades e relações e tudo que for verdade para X também é para Y". Ele concluiu que, dessa forma, o barco que chegasse no ponto B não seria o mesmo que partira de A.
Já o filósofo e teórico político Thomas Hobbes — autor de 'Leviatã' (1651) e 'Do Cidadão' (1642) — não se arriscou em dar uma resposta, colocando em pauta outra dúvida: caso um segundo barco fosse construído com os restos descartados do barco inicial, qual deles seria de fato considerado o navio de Teseu?
Uma resposta constituída por, na verdade, uma nova dúvida, não foi exclusiva de Hobbes. Até mesmo o 'pai do liberalismo', John Locke, pensou de forma parecida, e se questionou: se o buraco de uma meia furada for remendado, ela continuaria sendo a mesma meia?
Essa pergunta, por sua vez, motivou outras reflexões: caso o teletransporte seja inventado, de maneira a fragmentar uma pessoa molecularmente em um ponto A, e então reconstruí-la em outro ponto B, ela ainda poderia ser considerada a mesma?
Como um verdadeiro paradoxo, até hoje não existe qualquer tipo de consenso para responder à dúvida levantada por Plutarco, nem mesmo algumas outras provenientes desta. Por isso, felizmente ainda é possível pensar e debater mais sobre essa questão, que intriga filósofos há milênios.
Fonte: https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/o-enigma-do-paradoxo-do-navio-de-teseu.phtml#google_vignette
Há uma thread no reddit com boas respostas e uma discussão de alto nivel quanto esse assunto:
https://www.reddit.com/r/Filosofia/comments/1ey4sc5/barcodeteseu/?rdt=39804