Então você quer ter um site…?
Print do primeiro site do mundo, de Tim Berners-Lee, em uma janela do Safari para macOS.
Para quem passa algum tempo em cantos esquisitos da internet, como o Mastodon ou este Manual do Usuário, exaltar a web é prática recorrente. “Saia do Instagram, faça um site”, alardeamos a quem nos dá ouvidos, com aquela esperança que não sei se de alguém ingênuo ou que se sabe iludido.
Tenho pensado na hipotética pessoa comum, insatisfeita com o Instagram e/ou o TikTok, que decide seguir o conselho. “Certo, é isso que eu quero: vou fazer um site!”
Por onde ela começa? Quais dificuldades enfrentará? Quanto terá que gastar? Vai conseguir publicar seu primeiro “Olá, mundo!” antes de desistir e voltar com o rabo entre as pernas ao Instagram?
Sinto que estamos gastando muita energia na promoção da web e nos esquecendo de como viabilizá-la a pessoas que não sabem o que é git ou HTML e nem querem saber. Abrir uma conta no Instagram é grátis e exige três cliques — bilhões de pessoas conseguem, literalmente.
Como faz para criar um site, ou um blog?
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Existem hospedagens gerenciadas, que lidam com toda essa parte mais técnica. No meu caso, uso o WordPress.com da Automattic.
Aí é só escrever, certo? Sim. Pode ser no WordPress ou em um dos vários rivais da Automattic — Squarespace, Wix, Ghost, Webflow, mmm.page…
O “porém” desse caminho é que você terá que botar a mão no bolso para ter uma experiência decente. Em serviços que oferecem plano gratuito, como o WordPress.com, era melhor que não oferecessem: há anúncios em excesso e funcionalidades de menos.
Quanto custa? Em março de 2025, o plano mais básico do WordPress.com custa R$ 31/mês ou R$ 12/mês em um contrato anual, pago em uma parcela (R$ 144). Considere, ainda, o gasto em um domínio próprio (R$ 40/ano para os .br), o que é importante pela apresentação e para não ficar preso ao serviço. Ter um domínio te garante autonomia para “trocar o motor” do seu site sem perder os links e o tráfego que você conquistou.
É barato, sim, mas talvez os ~R$ 20 mensais saia caro para alguém que ainda não tem certeza de que se comprometerá com o site, que só queira experimentar ou ter um blog como hobby.
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Fazer um site não é tão difícil. Um site simples, “meio capenga? Diria que é fácil. Dá para fazer com o Bloco de notas, até.
Quando a internet ainda era movida a manivelas, a web era rainha e nela predominava o texto escrito. Mesmo com a chegada dos sites interativos da “web 2.0”, no início dos anos 2000, o texto escrito ainda prevalecia porque vídeos eram (e ainda são) bem mais pesados.
Foi nesse contexto que muita gente aprendeu a criar sites, mesmo sem saber que estava aprendendo. Gente que queria personalizar seus perfis no MySpace, blogs no Blogger; que queria homenagear suas bandas favoritas e expressar interesses pessoais no Geocities, no hpG.
Havia incentivo (vontade de se expressar) e circunstâncias favoráveis (tempo livre e falta de alternativas mais atraentes e/ou fáceis). Hoje a molecada só quer saber de Roblox, Fortnite e TikTok. Levanta o punho e brada impropérios a nuvens inocentes no céu
Não as culpo; longe disso. Porque, convenhamos: transformaram a web em um lixão. Sites limpinhos e escritos por pessoas, como este Manual, são exceções. De um jeito infeliz, a web é o metaverso que deu certo, um ambiente virtual saturado pela sanha extrativista do capital, uma vitrine de anúncios ou funil de vendas, e só.
Apesar disso, eu ainda gosto daqui, da web. E continuo incentivando as pessoas a criarem sites pessoais. Amadores, esquisitos, talvez um site seja o “conteúdo” mais humano que um “criador” possa fazer no digital.
A imagem do topo é do primeiro site publicado por Tim Berners-Lee. Ainda está no ar.
Fonte: https://manualdousuario.net/entao-voce-quer-ter-um-site/
In defense of unpolished personal websites
But deep down, all I want for my personal website is to give back to the web. I want anyone, regardless of skill level, to inspect elements, understand the structure, and learn from readable code. And I am fully aware my code isn’t perfect. It’s old and there’s a lot of room for improvement.
For now, I am happy to carry on with this approach. My imperfect and unpolished code on my personal website isn't the full reflection on my technical abilities or knowledge of web development standards. It’s a constant draft where my handwriting is legible and where I want optimization takes a backseat. It’s where I use the little free time I have to actually write on it and prioritise the experiments I want.
Is it okay to prioritize readability and learning over cutting-edge optimization on personal websites? I believe so. And if we want more people to have a personal website, I think more of us should consider doing the same.
Fonte: https://ohhelloana.blog/in-defense-of-unpolished-websites/
Leia mais: https://blog.dbinfo.app.br/hospedagem-de-site-gratis